sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Villa-Lobos

Heitor Villa-Lobos (Rio de Janeiro, 5 de março de 1887 — Rio de Janeiro, 17 de novembro de 1959) foi um compositor brasileiro, célebre por unir música com sons naturais.
Aprendeu as primeiras lições de música com o pai, Raul Villa-Lobos, funcionário da Biblioteca Nacional, que morreu em 1899. Ele lhe ensinara a tocar violoncelo usando improvisadamente uma viola, devido ao tamanho de "Tuhu" (apelido de origem indígena que Villa-Lobos tinha na infância). Sozinho, aprendeu violão na adolescência, em meio às rodas de choro cariocas, às quais prestou tributo em sua série de obras mais importantes: os Choros, escritos na década de 1920. Casou-se em 1913 com a pianista Lucília Guimarães.
Após viagens pelo Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil, no final da década de 1910, ingressou no Instituto Nacional de Música, no Rio de Janeiro, mas não chegou a concluir o curso, devido à não adaptação e descontentamento com o ensino acadêmico.
Suas primeiras peças tiveram alguma influência de Puccini e Wagner, mas a de Stravinsky foi mais decisiva, como se vê nos balés Amazonas e Uirapuru (ambos de 1917). Apesar de suas obras terem aspectos da escrita européia, Villa-Lobos sempre fundia suas obras com aspectos da música realizada no Brasil. Utilizava sons da mata, de eventos indígenas, africanos, cantigas, choros, sambas e outros gêneros muito utilizados no país. O meio acadêmico desprezava o que escrevia, até que uma turnê do pianista polonês Arthur Rubinstein pela América do Sul, em 1918, proporcionou uma amizade sólida, que abriria as portas para a mudança de Villa-Lobos para Paris, em 1923.
Na Semana de Arte Moderna, em 1922, ficou famoso um episódio em que o compositor é chamado ao palco e entra com um dos pés calçado de sapato e o outro de sandália, com uma atadura chamativa no dedão. Interpretada como uma atitude de vanguardismo provocativo, Villa-Lobos é vaiado; depois viria a explicar que o ferimento era verdadeiro, demonstrando sua ingenuidade ante as reações ardorosas despertadas pelo evento.
Passou duas longas temporadas na França, o maior reduto musical da época, através da ajuda financeira da família Guinle. Residiu em Paris entre 1923 e 1924, e de 1926 a 1930, quando voltou ao Brasil para participar de um programa de educação musical do governo de Getúlio Vargas. Nesse tempo, a influência de Stravinsky foi sobrepujada pela da música brasileira, seja a indígena, seja a dos chorões. Essas duas vertentes são bastante marcantes nos catorze Choros. Os temas nordestinos viriam a se fazer mais presentes na década de 1930, ao lado da inspiração reencontrada em Bach.
O ano de 1930 deu novo rumo à vida do compositor, pois conseguiu concretizar seu projeto de introduzir a disciplina Canto Orfeônico (coral) nas escolas de ensino médio de todo o país, por intermédio da confiança depositada pelo interventor do Estado de São Paulo, João Alberto, aliado de Getúlio Vargas. Foi professor catedrádico de Canto Orfeônico do Colégio Pedro II,no Rio de Janeiro.
Desse projeto, destacaram-se os concertos ao ar livre com a participação de milhares de alunos. Um desses concertos, no estádio São Januário, contou com quarenta mil vozes e a presença do presidente Getúlio Vargas. Em 1936, pediu separação de sua primeira esposa e se uniu com Arminda d'Almeida Neves, a "Mindinha", com quem viveu até a morte.
Na década de 1940, Villa-Lobos conheceu os Estados Unidos. Teve ótima aceitação de suas obras e a definitiva aclamação. Diversas orquestras estado-unidenses lhe encomendaram novas composições, bem como de instrumentistas renomados que lá moravam ou se apresentavam. Se na metade de sua vida, seu eixo fora Rio-Paris, agora passava a ser Rio-Nova Iorque. Mesmo com o sucesso, nunca foi rico; também não teve filhos. Em 1947, em Nova Iorque, sofreu a primeira intervenção cirúrgica para tratar do problema que iria tirar-lhe a vida doze anos mais tarde, pouco mencionado em suas biografias: o câncer de bexiga, causado por seu vício em charutos. Recuperou-se e ganhou mais vigor para compor.
Na sua última década de vida surgiram as cinco últimas sinfonias, os seis últimos quartetos de cordas, quase todos os concertos (exceto o primeiro para piano e o primeiro para violoncelo), sua ópera Yerma, a suíte A Floresta do Amazonas e diversas obras de câmara, como a Fantasia Concertante para Violoncelos (1958) e o Quinteto Instrumental, para flauta, violino, viola, violoncelo e harpa (1957). Em nova viagem a Paris, em 1955, gravou algumas de suas obras mais importantes, regendo a ORTF (Orquestra da Rádio-Teledifusão Francesa), mais de sete horas de música, remasterizadas na década de 1990, e atualmente disponíveis em CD. Em 1959, regeu sua última gravação, à frente da Symphony of the Air, justamente A Floresta do Amazonas, e voltou para o Rio de Janeiro, onde veio a falecer poucos meses depois, em sua casa.
Villa-Lobos se incomodava muito com o título de compositor brasileiro. Ele sempre fazia questão de dizer que era compositor do mundo, afinal ninguém fala de outros compositores como Mozart, Bach, etc., dizendo que são de determinados países.
Entre os títulos mais importantes que recebeu, está o de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Nova Iorque; foi o primeiro presidente da Academia Brasileira de Música e regeu onze orquestras brasileiras e quase setenta na Alemanha, Argentina, Áustria, Bélgica, Canadá, Chile, Cuba, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Inglaterra, Israel, Itália, México, Portugal, Suíça, Uruguai e Venezuela.
A música de Villa-Lobos é, sobretudo, sui generis: o compositor nunca chegou a possuir um estilo definido. Se tanto, é possível encontrar preferências por alguns recursos estilísticos: combinações inusitadas de instrumentos (que muitas vezes prejudicaram a expressividade da música), arcadas bem puxadas nas cordas, uso de percussão popular, imitação de cantos de pássaros (recurso no qual era mestre, só tendo um único concorrente: o francês Olivier Messiaen; ambos nunca se conheceram).
Não defendeu nem se enquadrou em nenhum movimento, e continuou por muito tempo desconhecido do público no Brasil e atacado impiedosamente pelos críticos, dentre os quais Oscar Guanabarino, seu eterno opositor. Ainda assim, sempre foi fiel a seu próprio impulso interior para compor: "Minha música é natural, como uma cachoeira", disse certa vez. Essa obediência a seu instinto o tornou o mais prolífico compositor erudito do século XX; somente alguns barrocos, como Telemann, possuem mais obras do que Villa-Lobos.
Esse instinto pela natureza mesma da palavra não era disciplinado, e essa indisciplina se manifestou muitas vezes numa harmonia (uso de acordes) excessivamente livre, quando fazia uma peça deliberadamente tonal, e numa orquestração inadequada - sua vida desprogramada, às vezes tendo de se render às necessidades do dia-a-dia, colaborou para que diversas obras ficassem sem um melhor acabamento.


Heitor Villa-Lobos
Clássicos de Todos Os Tempos
Coleção Readers Digest Music

Disco 1 - Bachianas, Choros e Canções

01. Prelúdio
02. Fuga
03. Quatro canções d´a floesta do Amazonas- Cair da tarde
04. Canção de amor
05. Veleiro
06. Melodia sentimental
07. Dois choros
08. Choros Nº5
09. Bachianas brasileiras
10. Dança (martelo)
11. Choros Nº3

Disco 2 - Com Inspiração e Alegria

01. Terezinha de Jesus
02. A Condessa
03. Passa, Passa, Gavião
04. O Cravo Brigou com a Rosa (Sapo Jururú)
05. Fui no Tororó
06. A canoa virou
07. Quarteto de Cordas N°7
08. Choros N°7
09. Fantasia para Saxofone e Orquestra
10. Lent
11. Trés Anime
12. Ciranda das Sete Notas para Fagote e Cordas
13. O Trenzinho do Caipira

Disco 3 - Villa lobos e a magia do Violão

01. Estudo Nº 1 em mi menor
02. Estudo Nº 3 em ré maior
03. Estudo Nº 11 em mi menor
04. Suíte Popular Brasileira- Mazurca-Choro
05. Schottisch-Choro
06. Valsa-Choro
07. Gavota-Choro
08. Chorinho
09. Prelúdio Nº1em mi menor
10. Prelúdio Nº2 em mi maior
11. Prelúdio Nº 3 em lá menor
12. Prelúdio Nº 4 em mi menor
13. Prelúdio Nº 5 em ré menor
14. Choros


Villa Lobos - Bachianas Brasileiras

Vol. 1

01. No.1 - 1. Introdução (Embolada) Animato
02. No.1 - 2. Prelúdio (Modinha) Andante
03. No.1 - 3. Fuga (Conversa) Un Poco Animato
04. No.2 - 1. Prelúdio (O Canto Do Capadócio) Adagio - Andantino
05. No.2 - 2. Ária (O Canto Da Nossa Terra) Largo
06. No.2 - 3. Dança (Lembrança Do Sertão) Andantino Moderato
07. No.2 - 4. Tocata (O Trenzinho Do Caipira) Un Poco Moderato
08. No.3 - 1. Prelúdio (Ponteio) Adagio
09. No.3 - 2. Fantasia (Devaneio) Allegro Moderato
10. No.3 - 3. Ária (Modinha) Largo
11. No.3 - 4. Tocata (Picapau) Allegro

Vol. 2

01. No.4 - 1. Prelúdio (Introdução) Lento
02. No.4 - 2. Coral (Canto Do Sertão) Largo
03. No.4 - 3. Ária (Cantiga) Moderato
04. No.4 - 4. Dança (Miudinho) Muito Animado
05. No.5 - 1. Ária (Cantilena) Adagio
06. No.5 - 2. Dança (Martelo) Allegretto
07. No.6 - 1. Ária (Choro) Largo
08. No.6 - 2. Fantasia Allegro
09. No.7 - 1. Prelúdio (Ponteio) Adagio
10. No.7 - 2. Giga (Quadrilha Caipira) Allegretto Scherzando
11. No.7 - 3. Tocata (Desafio) Andantino Quasi Allegretto
12. No.7 - 4. Fuga (Conversa) Andante

Vol. 3

01. No.8 - 1. Prelúdio Adagio
02. No.8 - 2. Ária (Modinha) Largo
03. No.8 - 3. Tocata (Catira Batida) Vivace (Scherzando)
04. No.8 - 4. Fuga Poco Moderato
05. No.9 - Prel Vagaroso E Místico - Fuga - Tempo 1 - Grandioso

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